Páginas

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Mary and Max


O filme é de uma estética belíssima, poética, é uma delícia de ver. É sublime, delicado.

Quase tão frágil, em alguns momentos, quanto é, em alguns momentos também, o psiquismo dos personagens. (Mas eles não são frágeis o tempo todo).

Fico em dúvida se o filme é pessimista. Acho que não. Acho que é simplesmente como a vida: nem sempre dá certo. OU melhor, nem sempre é como a gente acha que deveria ser.

Os personagens principais se relacionam através de correspondência. Mary é uma menina solitária e Max, um adulto, tipicamente Asperger.

Eles se encontram, de um jeito muito especial, nas suas diferenças.

Só que ela não sabe das limitações relacionais dele e ela vai "avançando" nas correspondências, sem intenção, naturalmente estabelecendo vínculo. Isso provoca em Max enorme crise de ansiedade.

Isso é lindo. É lindo ver o efeito da relação dos dois. É muito interessante ver o eco de um na vida do outro e as transformações geradas a partir disso.

Também achei muito legal a projeção Edípica dela com o pai (só vendo...) e a busca inconsciente de repetir o padrão materno (como é difícil sustentar o diferente do vivido/ aprendido se a gente não se trabalha).

Bem... Esse é meu olhar sobre Max e Mary. Um pequeno recorte, de uma beleza infinita e delicada que é o filme...


Escrito em 17 de maio de 2010

terça-feira, 13 de julho de 2010

Dueto


Eu tentei escapar

e ele, sair pela tangente

Até que ele me chamou atenção

que já éramos "nós"

Mesmo assim, indefinido

O incerto mais constante

Brincadeira mais séria

Quando me dei conta,

"a gente" já existia...

domingo, 11 de julho de 2010

Por uma vida menos ordinária

É o nome de um filme (não lembro que é o diretor, com Cameron Diaz, mt. bom, por sinal, das antigas)
Fui assistir por causa do título. Fato: tudo que sempre busquei - uma vida menos ordinária.
Talvez algumas pessoas sejam felizes dentro do comum, bom pra elas.
Muitas conseguem se conformar, essas talvez sejam as mais felizes, embora eu questione o sinônimo felicidade-conformismo.
Nunca consegui me conformar com formatos pré-existentes, com engolir sem mastigar, com o modelo vendável de felicidade plastificada...
Nem acho que o extraordinário está sempre no grandioso
Muitas vezes a delícia do extraordinário está exatamente em poder observar por trás daquilo q parecia ordinário... e descobrir algo novo
As vezes o extraordinário está no miudínho detalhe do dia-a-dia, que deixamos passar despercebido
O extraordinário está naquele sorriso, cheiro, sentimento, cor, som - que se eu não for capaz de me abrir vou deixar passar e perder pra sempre
o extraordinário é como o diabo: está nos detalhes.


(sem querer tirar a divindade onipresente de tudo que é extraordinário)

sábado, 10 de julho de 2010


Exposição de Goeldi
Caixa cultural
Junho 10
"E se a gente gostar da mesma imagem?!"
"Então é pq somos almas gêmeas"
Hoje percebi: desde março não escrevo
e olha, palavras não faltam
sentimentos excedem
o problema é que, na maior parte das vezes, meu pensamento é mais rápido
do que o tempo da escrita
boa parte das vezes a tormenta mental não dá conta de ser sublimada
Quanda dá conta - caminho da cura
:)

quinta-feira, 18 de março de 2010

experiencia etnográfica na terra do regime, tomo I

Primeiro dia
nada difícil. É que, pra mim, a dificuldade vem com o tempo, ao seguir a rotina. Por enquanto, é novidade, tá bom.
Estou seguindo a dieta dos pontos, semelhante a do vigilantes, e posso consumir até 400 pontos por dia, que equivalem a 1200 calorias.
Dá pra comer mta coisa!
Receita do dia, equivalente a 60 pontos. Inventei, experimentei e ficou delícia!
Ingredientes:
1/4 de abobrinha
meia colher de sopa de cottage
meio tomate
meia col. sopa de azeite
Mangericão, pimenta do reino e sal a gosto.
Modo de fazer:
Corte a abobrinha ao meio, depois corte metade desse pedaço (1/4)
Afervente até ela ficar meio mole
tire um pouco do recheio da abobrinha e rechei em camadas: um pouco de tomate cortado em cubinhos, mangericão, cottage.
pronto!
Bem, agora que passei pelo almoço, que foi acompanhado de peixe e salada, vamos ver como vou me comporta pelo resto do dia...

quarta-feira, 17 de março de 2010

Diario de campo: uma experiência etnográfica na terra do regime
Passei dos 70 (kilos, não anos) e não tem mais jeito. A única saída é assumir, e procurar ajuda.
Penso nas múltiplas razões que fazem uma pessoa engordar. Genética é, sem dúvida, a mais desculpabilizadora das razões, “é genético”... aí tá desculpado. Pura mentira! Uma sociedade normatizadora como a nossa, definitivamente não desculpa os gordos, nem nada que fuja do suposto padrão de normalidade, arbitrário e perverso.
A outra razão é, sem dúvida a ansiedade. Podemos incluir também uma forma de compensação (precisa-se de prazer pra viver e as vezes a comida é o meio mais fácil, imediato e eficaz de se obter esse prazer, principalmente para as solteiras, hehe, que não tem sexo diário na sua dieta). Mais razões? Compulsão, falta de disciplina, preguiça... nossa, são tantas que fica difícil listar. Mas, sem dúvida a ansiedade lidera um bando dessas razões que podem vir disfarçadas de tristeza, medo, ou até alegria (afinal, o que é uma comemoração sem comida e bebida?).
O fato é que, a humanidade atual sofre de diversos dos males listados acima e muitos nem sequer se dão conta disso. Resultado: entre consumo excessivo de drogas, das mais variadas, entra a comida, como uma droga socialmente aceita e até velada, pois poucos se dão conta de que comer compulsivamente exerce função de droga. Sim, somos muitos os viciados, adictos em comida.
E como mudar isso? Uma abordagem comum para o tratamento de adictos hoje é a redução de danos. “Redução de danos... é uma política social que tem como objetivo prioritário minorar os efeitos negativos decorrentes do uso de drogas” (Newcombe, 1992).
Penso em como fazer isso com o uso da comida. Devo confessar que, nesse momento que escrevo estou comemorando minha decisão de fazer regime com uma despedida ao que tinha na minha geladeira, hehe, e que seria usado para minimizar meu cansaço diário: um salsichão, tipo alemão e uma (várias) taças de vinho tinto seco.
O fato é que hoje eu fui ao endocrinologista. Pensei mil vezes em desmarcar e continuar assim, desse jeito desregrado (extremamente difícil pra uma TDAH seguir regras) e comendo quase que a vontade tudo que me dá na telha. Easy Né? Sim, muito fácil viver assim.
Aparentemente, porque internamente causa, ao menos a mim, imensa angústia não caber nas roupas que eu tenho, estar acima dos 70 kilos e imaginar que meu namorado (quando eu tiver) não vai agüentar meu peso quando eu deitar em cima dele!!! È isso mesmo. Quem nunca sentiu isso que atire o primeiro chocolate!
Fato: eu não quero mais me sentir assim! E confesso que sei que será uma luta sofrida, em muitos momentos, reverter essa situação. Mas também será uma imensa felicidade quando eu puder perceber que estou conseguindo. Sim, porque eu terei vencido, com isso, também o meu imediatismo, a minha indisciplina, a minha angústia de castração (quem não aceita limites e quer fazer tudo ou acha que pode tudo tem sérios problemas com aceitar limites e consequentemente a própria castração).
Assim, me proponho a fazer esse diário de campo, esse registro vivencial da minha própria experiência com um novo modelo de vida. Sim, porque fazer regime não é só aceitar restrições alimentares, é sim, buscar uma nova vida, com novos padrões e com muitas descobertas sobre si mesmo. Aí reside a principal dificuldade e a principal força.
Não sei como vai ser, mas eu vou.Vou me lançar, como faço em todos os empreendimentos da minha vida: com paixão, seriedade e uma certa compulsão, além de obstinação e garra.