Primeiro dia
nada difícil. É que, pra mim, a dificuldade vem com o tempo, ao seguir a rotina. Por enquanto, é novidade, tá bom.
Estou seguindo a dieta dos pontos, semelhante a do vigilantes, e posso consumir até 400 pontos por dia, que equivalem a 1200 calorias.
Dá pra comer mta coisa!
Receita do dia, equivalente a 60 pontos. Inventei, experimentei e ficou delícia!
Ingredientes:
1/4 de abobrinha
meia colher de sopa de cottage
meio tomate
meia col. sopa de azeite
Mangericão, pimenta do reino e sal a gosto.
Modo de fazer:
Corte a abobrinha ao meio, depois corte metade desse pedaço (1/4)
Afervente até ela ficar meio mole
tire um pouco do recheio da abobrinha e rechei em camadas: um pouco de tomate cortado em cubinhos, mangericão, cottage.
pronto!
Bem, agora que passei pelo almoço, que foi acompanhado de peixe e salada, vamos ver como vou me comporta pelo resto do dia...
quinta-feira, 18 de março de 2010
quarta-feira, 17 de março de 2010
Diario de campo: uma experiência etnográfica na terra do regime
Passei dos 70 (kilos, não anos) e não tem mais jeito. A única saída é assumir, e procurar ajuda.
Penso nas múltiplas razões que fazem uma pessoa engordar. Genética é, sem dúvida, a mais desculpabilizadora das razões, “é genético”... aí tá desculpado. Pura mentira! Uma sociedade normatizadora como a nossa, definitivamente não desculpa os gordos, nem nada que fuja do suposto padrão de normalidade, arbitrário e perverso.
A outra razão é, sem dúvida a ansiedade. Podemos incluir também uma forma de compensação (precisa-se de prazer pra viver e as vezes a comida é o meio mais fácil, imediato e eficaz de se obter esse prazer, principalmente para as solteiras, hehe, que não tem sexo diário na sua dieta). Mais razões? Compulsão, falta de disciplina, preguiça... nossa, são tantas que fica difícil listar. Mas, sem dúvida a ansiedade lidera um bando dessas razões que podem vir disfarçadas de tristeza, medo, ou até alegria (afinal, o que é uma comemoração sem comida e bebida?).
O fato é que, a humanidade atual sofre de diversos dos males listados acima e muitos nem sequer se dão conta disso. Resultado: entre consumo excessivo de drogas, das mais variadas, entra a comida, como uma droga socialmente aceita e até velada, pois poucos se dão conta de que comer compulsivamente exerce função de droga. Sim, somos muitos os viciados, adictos em comida.
E como mudar isso? Uma abordagem comum para o tratamento de adictos hoje é a redução de danos. “Redução de danos... é uma política social que tem como objetivo prioritário minorar os efeitos negativos decorrentes do uso de drogas” (Newcombe, 1992).
Penso em como fazer isso com o uso da comida. Devo confessar que, nesse momento que escrevo estou comemorando minha decisão de fazer regime com uma despedida ao que tinha na minha geladeira, hehe, e que seria usado para minimizar meu cansaço diário: um salsichão, tipo alemão e uma (várias) taças de vinho tinto seco.
O fato é que hoje eu fui ao endocrinologista. Pensei mil vezes em desmarcar e continuar assim, desse jeito desregrado (extremamente difícil pra uma TDAH seguir regras) e comendo quase que a vontade tudo que me dá na telha. Easy Né? Sim, muito fácil viver assim.
Aparentemente, porque internamente causa, ao menos a mim, imensa angústia não caber nas roupas que eu tenho, estar acima dos 70 kilos e imaginar que meu namorado (quando eu tiver) não vai agüentar meu peso quando eu deitar em cima dele!!! È isso mesmo. Quem nunca sentiu isso que atire o primeiro chocolate!
Fato: eu não quero mais me sentir assim! E confesso que sei que será uma luta sofrida, em muitos momentos, reverter essa situação. Mas também será uma imensa felicidade quando eu puder perceber que estou conseguindo. Sim, porque eu terei vencido, com isso, também o meu imediatismo, a minha indisciplina, a minha angústia de castração (quem não aceita limites e quer fazer tudo ou acha que pode tudo tem sérios problemas com aceitar limites e consequentemente a própria castração).
Assim, me proponho a fazer esse diário de campo, esse registro vivencial da minha própria experiência com um novo modelo de vida. Sim, porque fazer regime não é só aceitar restrições alimentares, é sim, buscar uma nova vida, com novos padrões e com muitas descobertas sobre si mesmo. Aí reside a principal dificuldade e a principal força.
Não sei como vai ser, mas eu vou.Vou me lançar, como faço em todos os empreendimentos da minha vida: com paixão, seriedade e uma certa compulsão, além de obstinação e garra.
Passei dos 70 (kilos, não anos) e não tem mais jeito. A única saída é assumir, e procurar ajuda.
Penso nas múltiplas razões que fazem uma pessoa engordar. Genética é, sem dúvida, a mais desculpabilizadora das razões, “é genético”... aí tá desculpado. Pura mentira! Uma sociedade normatizadora como a nossa, definitivamente não desculpa os gordos, nem nada que fuja do suposto padrão de normalidade, arbitrário e perverso.
A outra razão é, sem dúvida a ansiedade. Podemos incluir também uma forma de compensação (precisa-se de prazer pra viver e as vezes a comida é o meio mais fácil, imediato e eficaz de se obter esse prazer, principalmente para as solteiras, hehe, que não tem sexo diário na sua dieta). Mais razões? Compulsão, falta de disciplina, preguiça... nossa, são tantas que fica difícil listar. Mas, sem dúvida a ansiedade lidera um bando dessas razões que podem vir disfarçadas de tristeza, medo, ou até alegria (afinal, o que é uma comemoração sem comida e bebida?).
O fato é que, a humanidade atual sofre de diversos dos males listados acima e muitos nem sequer se dão conta disso. Resultado: entre consumo excessivo de drogas, das mais variadas, entra a comida, como uma droga socialmente aceita e até velada, pois poucos se dão conta de que comer compulsivamente exerce função de droga. Sim, somos muitos os viciados, adictos em comida.
E como mudar isso? Uma abordagem comum para o tratamento de adictos hoje é a redução de danos. “Redução de danos... é uma política social que tem como objetivo prioritário minorar os efeitos negativos decorrentes do uso de drogas” (Newcombe, 1992).
Penso em como fazer isso com o uso da comida. Devo confessar que, nesse momento que escrevo estou comemorando minha decisão de fazer regime com uma despedida ao que tinha na minha geladeira, hehe, e que seria usado para minimizar meu cansaço diário: um salsichão, tipo alemão e uma (várias) taças de vinho tinto seco.
O fato é que hoje eu fui ao endocrinologista. Pensei mil vezes em desmarcar e continuar assim, desse jeito desregrado (extremamente difícil pra uma TDAH seguir regras) e comendo quase que a vontade tudo que me dá na telha. Easy Né? Sim, muito fácil viver assim.
Aparentemente, porque internamente causa, ao menos a mim, imensa angústia não caber nas roupas que eu tenho, estar acima dos 70 kilos e imaginar que meu namorado (quando eu tiver) não vai agüentar meu peso quando eu deitar em cima dele!!! È isso mesmo. Quem nunca sentiu isso que atire o primeiro chocolate!
Fato: eu não quero mais me sentir assim! E confesso que sei que será uma luta sofrida, em muitos momentos, reverter essa situação. Mas também será uma imensa felicidade quando eu puder perceber que estou conseguindo. Sim, porque eu terei vencido, com isso, também o meu imediatismo, a minha indisciplina, a minha angústia de castração (quem não aceita limites e quer fazer tudo ou acha que pode tudo tem sérios problemas com aceitar limites e consequentemente a própria castração).
Assim, me proponho a fazer esse diário de campo, esse registro vivencial da minha própria experiência com um novo modelo de vida. Sim, porque fazer regime não é só aceitar restrições alimentares, é sim, buscar uma nova vida, com novos padrões e com muitas descobertas sobre si mesmo. Aí reside a principal dificuldade e a principal força.
Não sei como vai ser, mas eu vou.Vou me lançar, como faço em todos os empreendimentos da minha vida: com paixão, seriedade e uma certa compulsão, além de obstinação e garra.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
Decifra-me ou Devoro-te
O velho enigma apresentado pelo oráculo de Delphos em Édipo Rei: "Decifra-me ou Devoro-te", dizia o oráculo ao confuso Édipo que não se conhecia o suficiente...sábio Sófocles.
Mais sábio ainda meu querido Freud ao extrair daí o Complexo de Édipo, ao explicar nossas escolhas amorosas baseadas na trama de relações familiares, conscientes e inconscientes.
È dificil, ao se conhecer um pouco, negar essa relação escolha-passado-presente-padrões.
Mas o incrível é que esse enigma continua não apenas para o conhecimento de si.
Conhecer e desvendar o outro é um eterno enigma. Principalmente se o outro pouco se conhece.
Em conversa com um grande amigo, cujo nome não posso revelar ou ele corre o risco de ser banido da sociedade masculina por me contar as cafajestices típicas, ao tentar me ajudar a decifrar os enigmas, ele me contou algumas pérolas que valem ser reveladas, e até analisadas:
Um: quando vc sai com um cara e ele não te come logo de primeira, ao contrário, ele se torna quase seu melhor amigo, se mostra um bom ouvinte, gentil, etc... ai, vc pensa: nossa, está interessado! Pois é, meninas...Tudo mentira! Ele só quer garantir a comida do dia seguinte, rs. Verdade!!!!!
Dois: Típico: O cara ta parecendo suuuppperrr envolvido, até fala que tá muito afim de vc e vcs ficam, saem, ficam...Aí ele diz: olha, to com medo de me envover, ta bom demais, tal, etc... e se sai... Claro, vc não entende. Entenda: ele só quer sair de bom, levantar sua auto-estima e garantir a marmita de vez em quando.
E tem mais um bando de coisas que ele me fala e q a gente já sabia, mas não tinha coragem de admitir, mas o fato é que eu continuo na minha eterna pesquisa: O que é o amor?
O que faz um casal? sintoma, sim, caro Freud, concordo.
E o que mais?
O que faz durar?
O que é durar?
enfim...
Quem souber me avisa.
Mais sábio ainda meu querido Freud ao extrair daí o Complexo de Édipo, ao explicar nossas escolhas amorosas baseadas na trama de relações familiares, conscientes e inconscientes.
È dificil, ao se conhecer um pouco, negar essa relação escolha-passado-presente-padrões.
Mas o incrível é que esse enigma continua não apenas para o conhecimento de si.
Conhecer e desvendar o outro é um eterno enigma. Principalmente se o outro pouco se conhece.
Em conversa com um grande amigo, cujo nome não posso revelar ou ele corre o risco de ser banido da sociedade masculina por me contar as cafajestices típicas, ao tentar me ajudar a decifrar os enigmas, ele me contou algumas pérolas que valem ser reveladas, e até analisadas:
Um: quando vc sai com um cara e ele não te come logo de primeira, ao contrário, ele se torna quase seu melhor amigo, se mostra um bom ouvinte, gentil, etc... ai, vc pensa: nossa, está interessado! Pois é, meninas...Tudo mentira! Ele só quer garantir a comida do dia seguinte, rs. Verdade!!!!!
Dois: Típico: O cara ta parecendo suuuppperrr envolvido, até fala que tá muito afim de vc e vcs ficam, saem, ficam...Aí ele diz: olha, to com medo de me envover, ta bom demais, tal, etc... e se sai... Claro, vc não entende. Entenda: ele só quer sair de bom, levantar sua auto-estima e garantir a marmita de vez em quando.
E tem mais um bando de coisas que ele me fala e q a gente já sabia, mas não tinha coragem de admitir, mas o fato é que eu continuo na minha eterna pesquisa: O que é o amor?
O que faz um casal? sintoma, sim, caro Freud, concordo.
E o que mais?
O que faz durar?
O que é durar?
enfim...
Quem souber me avisa.
segunda-feira, 19 de janeiro de 2009
Velha Angs.
A angústia é uma sensação física
que me tira o ar
aperta o peito
dá nó no estômago e me deixa sem palavras
e sem humor :(
Só Frontal e meditação...
que me tira o ar
aperta o peito
dá nó no estômago e me deixa sem palavras
e sem humor :(
Só Frontal e meditação...
Resiliência
Depois do aeroporto vim pra casa
para constatar o deserto da sua ausência.
Gosto de provocar minha dor ao máximo
pra ver o quanto eu a suporto...
para constatar o deserto da sua ausência.
Gosto de provocar minha dor ao máximo
pra ver o quanto eu a suporto...
Ficar ou não ficar?
FICAR OU NÃO FICAR?
É assim...
Você está lá, na vida – “live in La vida loka” – curtindo muiiitooo ser solteiro depois de mais uma relação amorosa que vinha desgastada e você se perguntava se não era hora de sair e curtir a vida e sua liberdade.
Até que você fica solteiro de novo e pode, finalmente, sair por ai...sem ter que dar satisfações, pode dormir até tarde sem ninguém te esperando pra compartilhar nada, pode olhar pras pessoas interessantes na rua e paquerar livremente, pode beijar muiitooo e fazer sexo casual sem precisar sequer lembrar o nome da pessoa depois...Tudo isso dá uma sensação de euforia maravilhosa, onde você afirma: “Ufa! Essa é a vida que eu quero! Assim eu sou livre.”
Então você está lá começando mais uma das suas noitadas loucas e maravilhosas do gênero “Jamais dormirei” (hahaha) e de repente você vê AQUELA pessoa : Huuummm...sempre quis ficar com ele...delícia...tem cara de ser maior gostoso...
Você vai cumprimentar (óbvio!!!) e ele avisa logo: Tô solteiro! (aff, não acredito!) É, eu também, risinhos aliviados... Que ótimo. Certamente é a hora de matar aquele tesão antigo!
Vocês ficam – uma loucura como deveria ser! O beijo, nossa, era isso mesmo que eu imaginava – aquela sensação de adrenalina, do jeito que eu gosto e o jeito como ele me pega e me olha... Caralho, agora fudeu! Tem que rolar tudo...
Mas não é assim...Não com ele.
Por alguma razão não é um sexo casual...nem dá pra dar logo de cara...
Então vocês saem: tudo aquilo que as pessoas fazem quando estão interessadas: cinema, jantar, vinho, mil conversas interessantes sobre a vida e – que estranho: confidências... uma intimidade diferente...
E você começa a perceber como é boa aquela companhia e que você quer mais...
Naturalmente os encontros vão rolando e quando vocês passam a primeira noite juntos ( já mudou o status de primeira transa pra primeira noite, porque não tem como sair do lado dele depois disso, eu simplesmente não quero que ele me solte, e ele dorme abraçado comigo a noite inteira...bem, parece que ele também não quer me soltar...) de novo sua teoria se confirma: “Caralho, agora fudeu!” Fudeu porque é mesmo tão bom como eu imaginava e mais que isso... fudeu porque a gente tem um entendimento diferente, fudeu porque não é só a química que é maravilhosa, fudeu porque eu posso me apaixonar!
Porque na verdade é bom pra caralho, tem uma química louca e recíproca e vai além... Porque nesses dias que precederam a primeira noite tiveram momentos de troca – uma troca que transcende a química – troca intelectual, troca de percepções sobre o outro, e de repente você começa a conhecer certos detalhes (são eles que encantam uma relação) do tipo: “-Nossa, ele tem um jeito de rir tão bonito quando gosta de uma coisa...ele ri pra ele... Que jeito lindo de criança, ele é sensível...(não parece...)ele é frágil também...e muitas outras coisas...que só dá pra perceber num encontro especial, que transcende o físico...
E vocês começam a se ver mais e os afetos vão surgindo...
Até que vocês – solteiros convictos- chegam a um impasse interno: “-Tá bom demais, mas que que eu vou fazer com isso?”
Bem há duas opções:
Posso correr – sair fora- ir pra bem longe de uma possibilidade de relação; até porque eu já sei que esse negócio de se relacionar dá um trabalho da porra e depois, se isso acontecer, o que será da minha vida de solteiro?
Por outro lado, você fica se perguntando:
Cara, tá tudo tão bom, penso nele pra cacete, quando ele não tá o cheiro dele continua na minha pele, é incrível! – Pra que porra eu vou deixar isso acabar?
Os conflitos são reais!
Relação a dois é, certamente, um dos maiores desafios que há nessa vida de meu deus...
Relação é sinônimo de trabalho e não é só trabalho físico, é psíquico.
Quando eu vivo uma relação eu me espelho no outro, tenho acesso a minha sombra e minha luz, vem a tona o melhor e o pior de mim... A boa relação é a que provoca isso e dá trabalho porque faz a gente se conhecer melhor e se dar conta de um monte de coisas que nem sempre são agradáveis.
A boa relação é aquela que a gente pode se abrir de um jeito que quase nunca faz... É aquela que provoca a transformação do fogo.
E isso dá um medo enorme...
“Será que eu sei que você é mesmo tudo aquilo que me faltava...”
O fato é que “Aquele ficante” pode ser uma boa possibilidade de amor.
E a gente costuma ter muita dificuldade de lidar com as possibilidades de amor – exatamente por saber que ela é a única chance da gente se conhecer melhor, se tornar uma pessoa melhor e ser mais feliz. O verdadeiro amor é o que liberta.
Adriana Balaguer; Final de Dezembro 08; solteira em SSA.
É assim...
Você está lá, na vida – “live in La vida loka” – curtindo muiiitooo ser solteiro depois de mais uma relação amorosa que vinha desgastada e você se perguntava se não era hora de sair e curtir a vida e sua liberdade.
Até que você fica solteiro de novo e pode, finalmente, sair por ai...sem ter que dar satisfações, pode dormir até tarde sem ninguém te esperando pra compartilhar nada, pode olhar pras pessoas interessantes na rua e paquerar livremente, pode beijar muiitooo e fazer sexo casual sem precisar sequer lembrar o nome da pessoa depois...Tudo isso dá uma sensação de euforia maravilhosa, onde você afirma: “Ufa! Essa é a vida que eu quero! Assim eu sou livre.”
Então você está lá começando mais uma das suas noitadas loucas e maravilhosas do gênero “Jamais dormirei” (hahaha) e de repente você vê AQUELA pessoa : Huuummm...sempre quis ficar com ele...delícia...tem cara de ser maior gostoso...
Você vai cumprimentar (óbvio!!!) e ele avisa logo: Tô solteiro! (aff, não acredito!) É, eu também, risinhos aliviados... Que ótimo. Certamente é a hora de matar aquele tesão antigo!
Vocês ficam – uma loucura como deveria ser! O beijo, nossa, era isso mesmo que eu imaginava – aquela sensação de adrenalina, do jeito que eu gosto e o jeito como ele me pega e me olha... Caralho, agora fudeu! Tem que rolar tudo...
Mas não é assim...Não com ele.
Por alguma razão não é um sexo casual...nem dá pra dar logo de cara...
Então vocês saem: tudo aquilo que as pessoas fazem quando estão interessadas: cinema, jantar, vinho, mil conversas interessantes sobre a vida e – que estranho: confidências... uma intimidade diferente...
E você começa a perceber como é boa aquela companhia e que você quer mais...
Naturalmente os encontros vão rolando e quando vocês passam a primeira noite juntos ( já mudou o status de primeira transa pra primeira noite, porque não tem como sair do lado dele depois disso, eu simplesmente não quero que ele me solte, e ele dorme abraçado comigo a noite inteira...bem, parece que ele também não quer me soltar...) de novo sua teoria se confirma: “Caralho, agora fudeu!” Fudeu porque é mesmo tão bom como eu imaginava e mais que isso... fudeu porque a gente tem um entendimento diferente, fudeu porque não é só a química que é maravilhosa, fudeu porque eu posso me apaixonar!
Porque na verdade é bom pra caralho, tem uma química louca e recíproca e vai além... Porque nesses dias que precederam a primeira noite tiveram momentos de troca – uma troca que transcende a química – troca intelectual, troca de percepções sobre o outro, e de repente você começa a conhecer certos detalhes (são eles que encantam uma relação) do tipo: “-Nossa, ele tem um jeito de rir tão bonito quando gosta de uma coisa...ele ri pra ele... Que jeito lindo de criança, ele é sensível...(não parece...)ele é frágil também...e muitas outras coisas...que só dá pra perceber num encontro especial, que transcende o físico...
E vocês começam a se ver mais e os afetos vão surgindo...
Até que vocês – solteiros convictos- chegam a um impasse interno: “-Tá bom demais, mas que que eu vou fazer com isso?”
Bem há duas opções:
Posso correr – sair fora- ir pra bem longe de uma possibilidade de relação; até porque eu já sei que esse negócio de se relacionar dá um trabalho da porra e depois, se isso acontecer, o que será da minha vida de solteiro?
Por outro lado, você fica se perguntando:
Cara, tá tudo tão bom, penso nele pra cacete, quando ele não tá o cheiro dele continua na minha pele, é incrível! – Pra que porra eu vou deixar isso acabar?
Os conflitos são reais!
Relação a dois é, certamente, um dos maiores desafios que há nessa vida de meu deus...
Relação é sinônimo de trabalho e não é só trabalho físico, é psíquico.
Quando eu vivo uma relação eu me espelho no outro, tenho acesso a minha sombra e minha luz, vem a tona o melhor e o pior de mim... A boa relação é a que provoca isso e dá trabalho porque faz a gente se conhecer melhor e se dar conta de um monte de coisas que nem sempre são agradáveis.
A boa relação é aquela que a gente pode se abrir de um jeito que quase nunca faz... É aquela que provoca a transformação do fogo.
E isso dá um medo enorme...
“Será que eu sei que você é mesmo tudo aquilo que me faltava...”
O fato é que “Aquele ficante” pode ser uma boa possibilidade de amor.
E a gente costuma ter muita dificuldade de lidar com as possibilidades de amor – exatamente por saber que ela é a única chance da gente se conhecer melhor, se tornar uma pessoa melhor e ser mais feliz. O verdadeiro amor é o que liberta.
Adriana Balaguer; Final de Dezembro 08; solteira em SSA.
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